top of page
fundo dourado.jpg

Seu Grupo
Adicione e compartilhe o seu melhor conteúdo para que seja dádiva na vida de outras pessoas!

Empatia Paranoica

Public·7 members

🎙️ Pequeno relato de uma jornada de reconexão

Parte 1


Fui tratar minhas travas em me assumir como terapeuta — e, como tantas vezes acontece nesse caminho profundo, acabei abrindo portas internas que me levaram muito além do que eu esperava.


O que veio à tona primeiro foi o velho peso da crítica familiar. A vergonha, o medo do julgamento. Tudo isso profundamente ligado à figura materna.


Durante a sessão, emergiu uma memória da infância: eu, com seis ou sete anos, sendo completamente despida em público pela minha mãe. Não consegui lembrar o porquê, foi como se ela quisesse provar que eu não era importante, que se eu ficasse quieta ninguém me olharia. Lembro dela dizendo:"Cala a boca e não chora. Ninguém liga pra uma fedelha feia."


Quando criança, eu não gostava de me trocar na frente dos outros. Em dinâmicas familiares quando todos os primos estavam juntos, eu ficava por último para tomar banho ou qualquer outra coisa assim. Me ocorreu, acessando essa memória, apenas o fato que tenho marca de nascimento atípica e sempre evitava ter que me explicar.


Esse episódio marcou meu corpo. E mesmo depois de anos, ainda ecoava no meu medo de ser vista, de me mostrar, de ocupar o lugar de terapeuta com autenticidade.


Na lista de prioridades, também está o desejo de parar de fumar. Achei que fosse um tema paralelo… mas ele estava diretamente entrelaçado.


Voltei no tempo e lembrei do momento exato em que comecei: Tinha cerca de 19 ou 20 anos. Uma amiga desde os tempos de colegio, que havia sido criada pelos avós porque o novo marido da mãe não aceitava crianças, estava obcecada por emagrecer. Passava o dia sem comer, mas fumava. Trabalhávamos juntas e eu me preocupava, e comecei a dividir minha comida com ela. Pra não desperdiçar o cigarro que ela acendia, trocávamos de lugar: ela comia metade da minha comida, eu fumava metade do seu cigarro. E assim, sem perceber, me viciei.


Com os olhos da constelação sistêmica, vejo hoje que o cigarro foi muito mais do que um hábito. Minha mãe também foi fumante. E, inconscientemente, fumar me colocava no mesmo campo que ela — um lugar de pertencimento. Como se, através da fumaça, eu pudesse me igualar a ela. Reproduzir algo dela, como uma forma silenciosa de dizer: "Olha, eu sou como você."


Na infância, ela me fez sentir invisível e sem valor. Na vida adulta, o vício talvez tenha sido a forma distorcida que encontrei de manter um vínculo invisível, mesmo que à custa da minha saúde.


Hoje entendo que o cigarro também foi uma extensão daquele trauma:

Silenciava a dor da criança que não podia chorar. Acompanhava o medo de me mostrar. E recriava, dia após dia, o laço com minha mãe — pelo espelho do sofrimento.


Agora, com consciência, posso devolver o que não é meu. Posso acolher minha história com compaixão, mas não preciso mais ser leal à dor para me sentir parte.

Eu posso ser terapeuta.

Posso ser mulher.

Posso ser livre.


E, principalmente, posso me ver com o amor que tantas vezes busquei no olhar dela.



13 Views

Members

Contacts & information

Lectures, training or courses

contact @andreafrancomano.com.br

Company Name: ANDREA FS THERAPIES AND DEVELOPMENT LTDA - CNPJ: 57.054.752/0001-52 - contact @andreafrancomano.com.br - Postal Code: 12228120 - Telephone: (12) 9 9774-3340

Estimated delivery 02 - 12 business days via post

AF INS LOGO BLACK

INSTITUTE

ANDREA FRANCOMANO

2020 - 2024. @All rights reserved

bottom of page